sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sede Sal da Terra e Luz do Mundo - HOMILIA DO 5º DOMINGO COMUM

Queridos irmãos e irmãs

Na Liturgia deste 5º domingo do Tempo Comum, Deus nos exorta em sua palavra a reavivarmos em nossos corações e em nossa vida, uma missão primordial de todo e qualquer discípulo de Cristo: “Ser sal da terra e luz do mundo”.

Já no Evangelho, nós contemplamos um trecho do grande Sermão da Montanha, onde Jesus tendo subido ao monte, o lugar do encontro com seu Deus e Pai, senta-se como um Verdadeiro Mestre e ensina aos seus o Caminho do Reino, e aos discípulos, revela-lhes uma missão: “Vós sois sal da terra e luz do mundo”.

Descubramos o sentido real e verdadeiro desta missão, primeiro: Ser Sal da Terra. Vejam, o sal na sagrada escritura indica: aquilo que dá sabor, o que serve para conservar, mas também, é um meio de purificação e um sinal de aliança e perenidade. Pois bem, ser sal na vida dos discípulos significa levar o sabor, a doçura do amor, da graça, da vida e da salvação de Deus ao coração de muitos homens e mulheres que estão insípidos, ou seja, insossos em sua vida espiritual, faltando-lhes Cristo. Devem convidar a humanidade a purificar o interior, para acolher o Reino de Deus, levando-os também, a conservar em seus corações a Palavra de Deus e observar os seus mandamentos, para que deste modo se possa viver uma  aliança eterna com Deus.

Depois, receberam a missão de Ser Luz do mundo. Reparem, a luz significa a vida nova e feliz. Portanto, Ser luz significa iluminar a vida e os corações de uma humanidade que anda na escuridão do pecado, nas trevas de uma vida sem Deus. É reascender nos corações o desejo de amar a Deus e de segui-lo fielmente, a romper com a vida de pecado e a viver na graça de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, também nós, os novos discípulos de Cristo pelo Batismo, recebemos esta missão, por conseguinte, deveremos ser no tempo presente de nossas vidas, Sal da terra e luz do mundo. Temos que levar o sabor da vida eterna a muitos corações que estão insossos de felicidade, alegria, paz e amor, amargurados, desanimados pelos sofrimentos da vida. Temos que levar a luz da salvação aos corações de tantas pessoas que se perderam nas estradas da vida e estão envolvidas pelas trevas, as nuvens sombrias do pecado.  O lugar no qual os discípulos e nós deveremos viver esta missão: é a terra, o mundo. Ou seja, na nossa vida cotidiana, no trabalho, na escola, na família. Em todo lugar somos chamados a ser sal e luz.

Mas sejamos conscientes de que o discípulo só poderá ser Sal e Luz, a medida que ele unir à sua vida a Cristo, pois Ele é o verdadeiro Sal e a Verdadeira luz da humanidade.  S. Bernardo já dizia: sem Cristo a nossa vida fica insípida. E Cristo dá testemunho de si dizendo: “Eu sou a Luz do mundo”. Portanto, o discípulo, nós, eu e você só podemos iluminar a humanidade e levar o sabor da graça e da salvação, se por primeiro tivermos experimentado o sabor da vida eterna em nossos corações trazido pelo Cristo Sal da terra, e se tivermos deixado com que Ele, enquanto Luz, iluminasse nosso ser.  É dentro deste contexto que S. Paulo vivia: “Eu não quero saber de outra coisa senão Cristo Crucificado”.


Por fim, é praticando as boas obras em nossa vida, ou seja, a caridade, o amor, a justiça, o perdão que nós vamos cumprindo a missão de ser sal e luz. Assim nos fazia ver o profeta Isaías: “se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”. Portanto, nos deixemos salgar e iluminar por Jesus, para que assim no cotidiano de nossa vida, salguemos e iluminemos o coração da humanidade para acolher o Reino de Deus. Amém!!


sábado, 1 de fevereiro de 2014

"Os Meus olhos viram a vossa Salvação" - HOMILIA DA FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Queridos irmãos e irmãs

Hoje a Igreja celebra a festa da Apresentação do Senhor, lembrando que depois de quarenta dias do nascimento de Jesus, os seus pais para cumprir a lei mosaica, levaram o seu filho primogênito ao Templo para ser apresentado ao Senhor Deus.

A Primeira leitura desta santa celebração retirada do livro do profeta Malaquias, nos revela uma promessa de Deus na vida de seu povo: “Deus enviará o seu mensageiro, ele entrará no templo e lá o encontrareis, ele virá para purificar o coração da humanidade”.

Deveras, esta profecia se cumpriu no Evangelho que nós acabamos de escutar, no qual S. Lucas nos descreve exatamente o momento em que Jesus, o Filho e enviado de Deus é apresentado no Templo. Vejam, os pais de Jesus para cumprir a Lei que dizia: “todo primogênito do sexo masculino deve ser oferecido a Deus” (Ex 13,1-3). Levam-no ao Templo para ser apresentado, oferecido, consagrado a Deus. No Coração dos pais de Jesus, certamente estava a feliz certeza: Este filho não é nosso, mas é Todo de Deus. De fato, Jesus é o Filho de Deus que deve viver inteiramente para Ele, em total obediência ao Pai: “vim ao mundo para fazer a tua vontade ó Pai”. Deste modo, compreendemos que a vontade do Pai é que Jesus não perca nenhum daqueles que o Pai o confiou, ou seja, a humanidade, os homens e mulheres feridos pelo pecado. Assim, Jesus se fez homem veio ao mundo para “com sua morte, salvar e libertar a humanidade que vivia escrava do pecado” (Hb 2,14-15).

Em Jesus é o próprio Deus que está no Templo! Lá todos poderiam encontrar-se com Deus, tocá-lo, experimentá-lo bem próximo. Por isso, para lá se dirigem duas pessoas de fé: Ana, uma humilde profetisa, viúva, serva de Deus e Simeão, são imagem do povo que caminha nas estradas do mundo e espera ansiosamente a vinda do Messias Salvador, mas são imagem humilde de cada um de nós, que nutrimos o desejo de ver Deus. Pois bem, Simeão, homem justo porque vivia da Palavra de Deus, piedoso porque vivia com o coração aberto para Deus e que esperava a Consolação de Israel, guardava em seu coração o desejo de ver o Messias. Por conseguinte, Ele movido pelo Espírito Santo, com o coração abrasado pelo fogo do amor vai ao Templo. E no Templo, o lugar onde Deus habita e se revela, pôde contemplar o menino Jesus, o próprio Deus. Toma-o em seus braços, exulta de alegria e vê a promessa de Deus sendo cumprida em sua vida.

Ele contemplando Jesus, vê o Deus Salvador, vê a própria salvação. Jesus é a luz da humanidade, é a glória e o esplendor de todo o Israel, Ele veio para libertar a humanidade da escuridão do pecado, para conduzi-la das trevas à luz, para revelar a glória de Deus ao coração da humanidade. Por isso, também em sua missão no meio da humanidade, Ele será um “sinal de contradição”, ou seja, será incompreendido, rejeitado, perseguido, enfrentará a cruz, e nela revelará a sua glória a todos os povos, dando a vida eterna para todos os povos.
Este mistério da apresentação do Senhor no Templo, toca a nossa vida por inteiro. A exemplo de Simeão, nós em nossa fé, movidos pelo Espírito viemos a este Templo, no desejo de ver Deus. E de fato, Ele está no meio de nós, na Palavra, e, sobretudo, na Eucaristia, Quando o sacerdote em suas mãos, qual útero da virgem Maria, traz Jesus, sua presença viva e real em nosso meio. Na Eucaristia podemos tocar Deus com as nossas mãos como o fez Simeão, ver Deus com os nossos olhos, escutar Deus com os nossos ouvidos; verdadeiramente contemplarmos a luz que ilumina nosso coração, ver o Deus de nossa salvação que nos liberta de nossas dores e sofrimentos, e nele exultar de alegria como fez Ana.


Deixemos, pois, que o Senhor Jesus purifique o nosso íntimo, para que nele, Ele, o Rei da glória, o Senhor onipotente não somente entre, mas permaneça para sempre, faça nele sua morada, e em Jesus nos consagramos por inteiro a Deus, a ponto de com muita fé, amor, confiança e em total abandono dizermos: Somos todos teus Senhor, guarda-nos no Templo precioso do seu Coração. Amém. 


sábado, 25 de janeiro de 2014

O Senhor é a minha luz e salvação - HOMILIA DO III DOMINGO COMUM


Caros irmãos e irmãs

A Palavra de Deus na Liturgia deste 3º Domingo Comum nos convida a contemplar Deus como a Luz que ilumina os nossos corações, a nossa vida e a nossa história.

Na leitura primeira, o profeta Isaías foi enviado por Deus para levar uma palavra de ânimo e esperança ao povo santo de Israel. Vejam, qual era a situação deste povo? Este povo eleito se encontrava escravo, envolvido por uma grande escuridão de opressão, curvado pelo peso da dor, do sofrimento,  da perseguição, da tribulação, sem ânimo, totalmente afundado nas trevas de uma vida infeliz.

À semelhança deste povo, nós também nos encontramos em muitos momentos de nossa vida, envolvidos pelas trevas de nossos sofrimentos, experimentamos momentos de profunda escuridão, são os medos, as angústias, as tristezas, as perdas, as decepções, as provações, em nossos corações não há luz e nem alegria.

Deste modo, ao antigo povo de Deus e hoje a nós, o novo povo de Deus, mergulhado em trevas, o profeta Isaías nos diz: “o povo que andava na escuridão viu uma grande luz, uma luz resplandeceu, fizeste crescer a alegria, aumentaste a felicidade”. Ou seja, uma grande luz se manifestará na vida do povo, trazendo a alegria e a felicidade. Mas de onde vem esta luz? Quem é esta Luz?

Reparem, esta grande luz de alegria, vem do firmamento do céu, de junto de Deus. De fato, S. Tiago na sua carta nos diz: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1,17). Esta luz sem ocaso tem um nome e um rosto veio estar entre nós: Jesus. Sim, Ele é a luz que desceu do céu para iluminar a vida de escuridão da humanidade.

O Evangelho nos fala de Jesus que deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum. Vejam, Jesus vai habitar, fazer sua morada justamente no meio da vida daquele povo que andava nas trevas, habitando numa vida de escuridão. Esta atitude de Jesus revela que de fato, Nele se cumpre a profecia: “O Povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. Ele é a verdadeira Luz que liberta a humanidade de suas tristezas e sofrimentos, mas, sobretudo, da escravidão das trevas do pecado. Jesus, veio ao mundo para ser a luz da vida do povo de Israel, a luz da nossa vida, a luz da vida da humanidade.

Em Jesus, a Luz do mundo que está no meio da humanidade nós encontramos um Deus que deseja mudar o rumo de nossa vida. Por isso, que o evangelho continuava dizendo que Jesus saiu a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”. Portanto, converter-se é mudar o rumo da própria vida, é dar a vida uma nova direção. Jesus veio em meio a nossa escuridão para iluminar nossos caminhos, para nos tirar da antiga vida de escuridão e nos dar a vida eterna, nos dar o Reino de Deus. Em verdade, o próprio Jesus nos disse: “Eu Sou a Luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.  Como bom exemplo, assim, Ele o fez passando na vida de 4 pescadores, imagem de cada um de nós, ali ainda naquela região de escuridão onde eles viviam e trabalhavam.

Em Jesus que passa na vida dos 4 primeiros discípulos e hoje na nossa vida, nós contemplamos Deus que não somente vem nos iluminar, mas ser para sempre a nossa luz. No chamado que Jesus os faz de segui-lo, é como se ele dissesse: Vem Comigo, entrega a tua vida a mim, sai desta tua vida sombria e sem alegria. Segue-me, deixa eu ser a tua luz e tu em mim encontrarás a verdadeira vida e a alegria sem fim. Os discípulos prontamente deixaram tudo e seguiram a Jesus. E nós, também abandonaremos a vida de escuridão, a fim de seguir a Cristo? Não tenhamos medo, sigamos a Jesus que é a nossa luz, a nossa alegria, a nossa proteção, e em todo tempo e circunstância de nossa vida tenhamos a coragem de com fé dizer: “O Senhor é minha luz e salvação”. Amém.
 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Onde está o Rei dos judeus? Viemos adorá-lo - SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR



Queridos irmãos e irmãs

Hoje nós celebramos com fé a Solenidade da Epifania do Senhor, somos chamados a contemplar o Menino Jesus que se manifesta como a Luz  na escuridão do mundo para iluminar a vida de toda a humanidade. Ele que iluminou a vida de Maria, de José e dos pastores, hoje a partir da estrela ilumina a vida dos magos vindos do oriente, que representam todos os povos pagãos.
Já na primeira leitura vemos uma profecia sobre esta luz: “Levanta-te Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor... todos os povos viram para proclamar a glória do Senhor”. Sim, de verdade, Jerusalém é a cidade da luz, porque nela nasceu aquele que é a luz de nossa vida, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Ele que veio para iluminar os caminhos escuros de nossa vida, veio para nos libertar da escuridão do pecado e dos sofrimentos que passamos. De Belém nasceu, surgiu, se manifestou aquele que veio ser a luz de toda a humanidade. Para esta santa cidade todos os povos da terra se dirigirão para contemplar a glória de Deus. 

Assim vemos no evangelho de hoje, os magos vem do oriente até Belém, guiados por uma estrela que brilha no céu com uma única intenção em seus corações: “Onde está o Rei dos judeus, que acaba de nascer, vimos sua estrela no oriente e viemos para adorá-lo”.
Vejam, os magos não são apenas homens que conhecem os mistérios do céu, aqui eles são imagem de todos os pagãos, de todos nós, de todo homem e mulher que num determinado momento de suas vidas ainda não conheceu Jesus e vive a procura dele. Sendo assim, estes homens estão a caminho, peregrinando passo a passo na escuridão da noite do mundo, no caminho de suas vidas, eles estão à procura de Jesus.  Este caminhar  foi o início de uma grande peregrinação de vidas que caminham rumo a Cristo, a fim de nele encontrarem a alegria de suas vidas. Assim como os magos, nós também em nosso coração temos o grande desejo de conhecer Cristo, de contemplá-lo face a face.

Pois bem, estes magos são guiados pela estrela até a pequenina cidade de Belém, porque lá segundo o anuncio da profecia deveria nascer o Messias, Jesus, o Rei de toda a terra. A estrela que guia os magos não deve ser vista somente como um astro que brilha no céu, mas, sobretudo,  Cristo, é ele que vai guiando a humanidade, é Ele o astro que ilumina os céus e a terra.

Sendo assim os magos vão seguindo seu caminho até chegarem ao local indicado pela estrela.. É fascinante, porque a estrela não os conduziu a um palácio real, ela os conduziu a uma humilde estribaria, um lugar simples e pobre, ali deitado numa humilde manjedoura, estava o pequenino de Belém, uma humilde criança junto com sua mãe. Eles cheios de alegria, contemplam a humilde criança e em sua presença se prostram em humilde adoração, sabem que aquela criança não é um ser qualquer, mas é  o Rei, o Senhor, o Salvador de suas vidas, é o próprio  Deus que de joelhos eles adoravam. Por isso, a este menino Deus oferecem presentes que revelam quem é o menino: “Abrindo seus cofres lhe oferecem OURO, INCENSO E MIRRA”. 

O ouro indica a realeza, este menino é o Rei de toda a humanidade, seu reinado se revela no serviço, na doação da sua vida, daquele que não veio para ser servido, mas para servir. O Incenso é dado a Deus, portanto, este  menino nascido em Belém é o Filho de Deus, Deus de Deus, Luz da Luz. Por fim, a Mirra que era usada para ungir os cadáveres, lembra que este menino enfrentará a paixão e morte, enfrentará sepultura. 

Nesta celebração Eucarística também nós como os magos encontramos Jesus, para tanto, deveremos também, adorá-lo e oferecer-lhe  os nossos presentes, ou seja, a nossa vida, nossa fé, nossa esperança, todo o nosso amor. Os magos quando encontraram Jesus exultaram de alegria e depois retornaram por outro caminho. Nós também, deveremos ter esta atitude, quem encontra Jesus, encontrou a sua alegria, a razão de sua felicidade. E por isso, não podem mais voltar pelo mesmo caminho da vida, tão sombrio, tão longe de Deus. Quem encontra Cristo, deve dar um novo rumo a sua vida que consiste em se deixar guiar porque Ele, pois ele mesmo disse: “Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.  Deixai pois que Cristo seja a luz de tua vida! 

sábado, 1 de junho de 2013

SENHOR EU NÃO SOU DIGNO

Caros irmãos e irmãs em Cristo Jesus, o Deus de nossa salvação

A liturgia deste 9º Domingo do tempo Comum, nos convida a contemplarmos Deus, que manifesta o seu amor e o seu poder, na vida daqueles que tem fé, quer sejam cristãos ou pagãos.

E nesta Liturgia vemos um pagão, estrangeiro, que cheio de fé recorre ao Senhor Jesus, porque o reconhece como o Deus que tem poder. Este Pagão era um centurião, chefe de uma legião de 100 soldados, certamente um homem autoritário, duro, mandão, mas que hoje se revela com uma Humildade extraordinária, primeiro na compaixão que tem pelo seu servo, vendo-o como um amigo que ama muito e não como um empregado. Depois, sua humildade se revela, quando ele se acha impotente, fraco diante do sofrimento deste empregado que ele amava muito e que estava à beira da morte. Por fim, a Humildade deste centurião se mostra admirável, porque ele, se achando impotente, reconhece que o único que pode ajuda-lo é Jesus. Ele sabe que este nome tem poder, é o Deus que cura, salva e liberta, ele sabe que sua palavra é viva e eficaz. Ele sabe que este homem é o Deus Salvador. Por isso, não teme em procurá-lo, todavia, ele se achando indigno de ir até o Mestre Jesus, porque é um pagão, e, por conseguinte, manifesta o seu desejo por meio de outros.

Jesus também, revela de sua parte uma atitude humilde, Ele sendo judeu, não hesita em ir à casa de um pagão, pelo contrário, porque, Ele é o Deus que veio trazer a salvação a todos que o procuram de coração sincero, vai também manifestar o seu poder e seu amor na vida daqueles que ainda não fazem parte de seu povo. Esta atitude de Jesus revela o amor que Deus tem para com todos, um amor que não encontra barreiras para ser derramado na vida daqueles que o procuram. De fato, o amor é a única coisa que tira a liberdade de Deus, tornando-o nosso escravo, porque Ele tem sede de nosso coração.

Quando Jesus estava se dirigindo à casa do Centurião, eis que este homem nos dá mais uma prova de sua humildade, agora revelada na sua fé. Eis que ele demonstra uma fé humilde e sincera. Ele mandou alguns amigos irem até Jesus e dizer: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado”.
  
Amados irmãos e irmãs, que humildade deste homem! Que fé! Que absoluta confiança! Que abandono! Que Temor a Deus! Ele se acha pequeno, indigno, diante de Deus, mas ao mesmo tempo confia em Deus, no poder que ele tem, na força de sua palavra que cura porque é cheia do Espírito Santo. O Centurião com muita fé, colocou a vida de seu empregado nas mãos de Jesus. A fé deste homem causou admiração em Jesus, tocou o coração do Senhor, de modo que, o Senhor mesmo à distância curou aquele empregado, porque “Deus dá a sua graça aos humildes”.

Que a humildade e a fé deste centurião sirva de modelo para cada um de nós, de em toda a nossa vida nos momentos alegres e tristes, nos confiarmos nas mãos de Deus, na sua graça, na sua misericórdia, de nos reconhecermos pequenos, pobres, mendigos de seu amor, de nos pormos diante dele como indignos, apresentando-o nossas misérias e deixando-nos tocar pela sua misericórdia. Daqui a pouco o Senhor na Eucaristia virá até nós, à nossa casa interior, e repitamos com muito amor as mesmas palavras do Centurião: “Senhor eu não sou digno de que entres em minha morada, mas dizei uma palavra e  eu serei salvo, serei curado”. Louvado Seja, nosso Senhor Jesus Cristo.


sábado, 11 de maio de 2013

O MISTÉRIO DA ASCENSÃO DO SENHOR


Queridos e amados Filhos e filhas da Igreja


“Por entre aclamações, Deus (Jesus) se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta”.

Hoje, somos chamados a exultar de alegria, e a dirigirmos nossos olhos e corações para o céu, para contemplarmos o glorioso mistério da Ascensão de Jesus. Depois de quarenta dias aparecendo como Ressuscitado no meio dos seus discípulos, Jesus volta ao Pai.

A primeira Leitura e o Evangelho nos descrevem, este grandioso evento de nossa salvação. Reparem que imagem belíssima: Jesus está diante de seus discípulos, e agora é elevado à vista deles, de modo que “uma nuvem envolve Jesus e os olhos dos discípulos”. Esta nuvem é sinal da presença de Deus, deste modo, Jesus não está fazendo uma viagem em direção às estrelas, mas está adentrando na morada de Deus, na casa do Pai. De modo que Ele está sentado à direita do Pai, que não é um espaço físico, um trono ao lado do Pai, mas indica que Ele está em comunhão com Deus Pai, participando de sua glória e poder, como diz o salmista: “Ele é o Deus Altíssimo, o Soberano que domina toda terra”. E isto é o que nos alegra, porque, do alto do céu, da montanha do Pai, o Senhor está mais perto de nós, de lá Ele nos vê por inteiro, vai vendo os caminhos de nossa vida, para onde estamos indo, e quando o barco de nossa vida quer afundar, pelas agitações do mar bravio da vida, ele vem para nos socorrer.

Depois, quando Jesus está subindo aos céus, ele estende as suas mãos e vai abençoando os discípulos, a sua Igreja. Este gesto de Jesus é simples, mas ao mesmo tempo belo e profundo. Estas mãos estendidas que abençoam a sua Igreja, revela que eternamente elas são o teto, o abrigo, o refúgio de nossa vida, elas até hoje continuam estendidas sobre o mundo, sobre cada um de nós. E como é bom saber que em quando veem sobre nós tempestades de sofrimento, dor, angústia, aflição, as mãos do Senhor estão estendidas sobre nós para nos protege. Esta certeza tocou a vida dos discípulos, e por isso, a partida de Jesus do meio deles não foi causa de tristeza, mas de alegria, porque Jesus agora estava mais próximo deles.

Por fim, “esse Jesus que foi levado para o céu, virá do mesmo modo, que o vimos partir”. Este mistério da ascensão toca profundamente a vida de todos nós. Vejam, Jesus que havia descido do céu para assumir a fraqueza de nossa humanidade, vindo ao encontro de cada um de nós, ovelhas perdidas no caminho da vida e feridas pelo pecado, nos resgatou em sua morte e ressurreição, e hoje sobe aos céus, levando em seu corpo glorioso a vida de cada um de nós. Ele subiu hoje aos céus como Cabeça da Igreja, e foi preparar para nós, membros de seu corpo um lugar, a nossa verdadeira morada, o que nos alegra é que Ele depois voltará, e tomará cada um de nós em seus braços e nos fará descansar em seu regaço de amor, nos tornando participantes de sua glória. Louvado seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.


sábado, 4 de maio de 2013

O CÉU DENTRO DE NÓS


Queridos irmãos e irmãs

Jesus veio ao mundo, percorreu um caminho, entregou a sua vida aos homens, e em sua ressurreição, abriu-nos um Novo Caminho que nos leva até o Céu, junto de Deus. Neste 6º Domingo da Páscoa o Senhor Jesus nos convida a vivermos a nossa vida como uma caminhada para o céu, sabendo que não estamos sozinhos, Ele está conosco, caminhando ao nosso lado, por meio do Espírito Santo.

A Segunda leitura nos convida a contemplar qual é o fim de nossa caminhada aqui nesta terra de sofrimento. Reparem bem, nós, a Igreja, esposa de Cristo, caminhamos para a grande e alta montanha, onde está edificada a cidade Santa, a Jerusalém Celeste, o Céu, o lugar cheio da glória e do esplendor (Ap 21,11), ornada por doze alicerces, os doze apóstolos (Ap 21,14). Que verdade extraordinária, que conforta nossos corações e nos enche de alegria, como é bom ter a certeza de fé que diante dos sofrimentos e quedas da vida, nos altos e baixos, caminhamos para o Alto, para a montanha santa, o lugar da eterna felicidade, onde habitaremos com Deus e o Cordeiro, numa vida de comunhão e amor, onde reina a felicidade sem fim. Lá não há Templo, porque já viveremos eternamente na presença do próprio Deus, num encontro íntimo de amor contemplando a sua doce face. O Bonito é que todos os seres humanos, cristãos e pagãos, são chamados a descansar suas vidas sofridas nesta cidade santa, por isso que nela, haviam doze portas, três em cada direção do mundo. (Ap 21, 12-13).Como um sinal de que todos os povos são chamados a esta única e verdadeira meta, que é a vida com Deus

Todavia, se todos são chamados a habitar nesta cidade, desde cristãos até pagãos, se faz necessário que purifiquemos nossos corações, abandonando  os ídolos deste mundo, como o dinheiro, o prazer desmedido, a não oferecermos sacrifícios aos deuses pagãos de nosso dias, como o horóscopo, a cartomancia, a Umbanda, a não estarmos de comum acordo com as uniões ilegítimas deste nosso tempo, como o casamento gay, a fornicação, o divórcio, o aborto, a poligamia. Isto são coisas indispensáveis, as quais a Igreja como mãe e guiada pelo Espírito (At 14,28) nos ensina a rejeitar, para o bem de nossa salvação.

No Evangelho, vemos mais um trecho do discurso de despedida de Jesus, antes de sua partida do meio dos seus discípulos. Que nos faz entender porque deveremos retirar de nossos corações tudo aquilo que não vem de Deus, somos dele, e é na casa de nossos corações que Ele quer habitar. Para tanto, no início do evangelho, Jesus diz a seus discípulos e hoje a nós, uma palavra muito importante: “Quem me ama, guardará minha palavra”. Sim, seguir a Jesus, e amá-lo de todo coração, é antes de tudo, escutar a voz de Jesus, e se deixar guiar por sua palavra, que é viva e eficaz, alegra e conforta nossos corações. E vejam, que coisa belíssima acontece na vida de quem guarda a palavra de Jesus, de quem tem o coração aberto para ele, de quem tem fé: “Eu e o Pai viremos e faremos nele a nossa morada”. Deus fará morada em nosso coração! Deus se tornará íntimo de nós, nosso amigo.

Vejam queridos irmãos e irmãs, antes de habitarmos no céu, Deus quer habitar em nós, para ser um companheiro nosso de caminhada, para nos dar força neste caminho muitas vezes tão árduo. Se Jesus subiu ao céu, Ele não nos abandonou, Ele nos deixou segundo a carne, mas para estar presente em nossa vida, por meio do Espírito Santo, é isso que Jesus diz aos discípulos e a nós “não se perturbe, nem se intimide o vosso coração... se me amásseis, ficaríeis alegres” (Jo 14, 27-28). Sim, deveremos exultar de alegria porque, Jesus foi para junto de Deus, mas deixou para nós, o Espírito Santo, o Defensor, o Paráclito. É Ele a presença de Deus dentro de nosso coração, é pelo Espírito, que Deus veio morar em nós, porque nosso Corpo é Templo dele. Ele veio em nós, para nos ensinar o caminho da vida, sendo nosso mestre interior, iluminando nossos pensamentos e corações, veio para recordar em nosso coração as palavras de Jesus, que são cheias de vida e verdade. Ele veio para nos consolar em nossas dores e  aflições, Ele veio para ser a nossa alegria em meio as tristezas que envolvem nossa alma. Ele veio para ser a nossa verdadeira paz, quando dentro nós, em nossa vida e na vida de nossa família tudo parece estar em guerra. Por fim, Ele veio para ser a força que impulsiona nossa vida ao céu. Louvado Seja, Nosso  Senhor Jesus Cristo.